Eixo Discurso, Arquivo, Tecnologia dá início à sexta semana do V SEDISC - Unisul

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Eixo Discurso, Arquivo, Tecnologia dá início à sexta semana do V SEDISC

Nesta terça-feira (10/11), os trabalhos de Simpósio abriram o eixo temático Discurso, Arquivo, Tecnologia do V SEDISC, sob o comando de Fábio Barbosa Filho e Evandra Grigoletto.

O eixo V – Discurso, Arquivo, Tecnologia teve início nesta terça-feira (10) com o Simpósio coordenado por Fábio Ramos Barbosa Filho (UFRGS) e Evandra Grigoletto (UFPE). Em sua fala de abertura, Fábio destacou que os trabalhos do Simpósio, em sua especificidade, colocam em discussão as noções de discurso, arquivo e tecnologia. O professor ressaltou que é “imperativo pensar o arquivo em sua espessura material”, como um objeto ideológico que supõe uma existência formal linguístico-histórica, que impede a compreensão do arquivo como um repositório de informações. Além disso, o professor trouxe a noção de arquivo em sua relação com a memória, com o acúmulo, excesso e esquecimento, afirmando que é preciso resistir a uma visão idealista do arquivo, ao desejo de completude, acolhendo-o em sua feição lacunar, em sua opacidade, uma vez que nem tudo se escreve.

Evandra Grigoletto enfatizou a importância de “Ler o Brasil Hoje”, temática do evento, como um desafio colocado aos analistas do discurso de forma contundente, sendo uma questão de ética e política, “como nos ensinou Pêcheux”, afirmou Grigoletto. Segundo a professora da UFPE, “são discursos de toda ordem, de ódio, de resistência, de afeto, de humor, dentre tantos outros que nos interpelam a produzir uma escuta no cotidiano”. Para a professora, levando-se em conta que a prática científica é sempre uma prática política, Ler o Brasil Hoje é ler o que está nas bordas, o que está nas clivagens subterrâneas, ou seja, ler o arquivo hoje é ler os arquivos eletrônicos, mas é importante observar que há uma instância política e ideológica que sobredetermina o tecnológico, fugindo-se assim de uma leitura ingênua.

Os coordenadores desmembraram o simpósio em dois blocos, sendo o primeiro de apresentação dos trabalhos e debates pelos simposistas; e o segundo, de questionamentos realizados pelos coordenadores aos participantes.

No primeiro bloco, foram apresentados os seguintes trabalhos: A constituição de arquivos no Twitter, de Lucirley Alves de Oliveira e Fabiele Stockmans de Nardi; Que palavra é chave?, de Bianca Queda Costa; Prenúncios de uma pesquisa: comentário analítico sobre títulos de dicionários da área da tecnologia, de Lucas Saldanha da Cruz; Como montar um arquivo do cotidiano e o que fazer com ele?, de Filipo Figueira; Ler o fascismo hoje: sobre o discurso político presidencial do trigésimo oitavo governo brasileiro, de Rudá da Costa Perini; e, “O Rumor da rede”, de Juliana da Silveira.

Em sua fala, Bianca Queda Costa, doutoranda do PPGCL-Unisul, afirmou que, em seu trabalho com o Arquivo de Leituras, “há uma barra de pesquisa programada no site que funciona como um motor de equiparar significante, ou seja, no momento em que inserimos a palavra-chave ‘formação’ no site, a barra buscará o termo que mais foi utilizado. E a partir disso, nosso olhar se deu para pensar: como os usuários do Arquivo de Leituras buscam no mecanismo de busca? Qual a relação da palavra com o arquivo que estamos montando? É possível formular alguma coisa diversa utilizando esse buscador?”. Segundo a pesquisadora, o intuito da pesquisa é responder a essas questões olhando por uma perspectiva discursiva para esses dois buscadores, os quais, no seu entender, possuem funcionamentos complemente diferentes.

A Dra. Juliana da Silveira, pesquisadora PNPD do PPGCL-Unisul, apresentou seu projeto/experimento 2020/2021, intitulado “O rumor da rede”, em que fez uma belíssima analogia entre o mar, suas ondas, a rede digital e seus rumores. Como parte de um projeto maior que faz parte de seu pós-doutoramento, Juliana refletiu sobre o momento presente, trazendo questionamentos sobre a ciência e a pandemia, relacionando o rumor da rede às ondas do mar.

No segundo bloco, os mediadores organizaram seções de perguntas para os simposistas. Juliana da Silveira refletiu sobre a tensão das formulações, “que a tecnologia tenta resolver, mas que às vezes é do nível do insuportável”. Tratando ainda do efeito de autoritário, que vem das normatizações das redes sociais, dialogou com o trabalho de Lucirley de Oliveira e Fabiele de Nardi, sobre tentativas de apropriação do que vem do cotidiano, do ordinário.

O mediador Fábio Ramos Barbosa Filho ressaltou a questão de arquivo e cotidiano como ponto que atravessou todos os trabalhos. Em sua fala, questionou Filipo Figueira a respeito do cotidiano, e de como ele dimensionaria essa dimensão heurística da relação entre rizoma e arquivo. Em sua resposta, Figueira afirmou, dentre outras ideias, que a grande questão é como se constrói esse grande arquivo do cotidiano tensionado e, para isso, retomou a ideia de rizoma para metaforizá-lo e a cartografia como método para sua leitura.

O prof. Fábio fez seu encerramento observando que trabalhos que, inicialmente, pareciam não encontrar convergência tiveram pontos de tensão aparecendo no momento do debate, o que tornou o Simpósio mais interessante. A profa. Evandra, por fim, destacou a submissão ao controle tecnológico, ressaltando o controle pela lógica do capital, essa nova forma do capitalismo de vigilância, sobre o qual neste momento “não vislumbramos uma saída. Como, então, resistir a isso?”, questionou. Para Grigoletto, “Só vamos produzir algum furo ao criar algo para além da bolha, falar do discurso do cotidiano, promover escutas outras, trazendo para o nosso campo de reflexão, mas também poder falar com esses outros sentidos, porque a lógica está aí, este capitalismo da vigilância está imposto.”

A professora encerrou o Simpósio convidando a todos para a mesa coordenada por Solange Mittmann, que ocorrerá no dia 12/11, quinta-feira, e que contará com as presenças de Solange Gallo (PPGCL Unisul), Jorge Alberto Silva Machado (USP) e Mônica de Sá Dantas Paz (Pesquisadora do GIG@).

Texto: Patrícia Menezes Castagna (PPGCL-UNISUL)
Revisão: Debbie Noble (PPGCL-UNISUL)

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