O Rap como uma voz para a periferia - Unisul

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O Rap como uma voz para a periferia

O estudante Reginaldo João Vieira defendeu na tarde desta segunda-feira (26) a dissertação “O rap como uma voz para a periferia: a sublimação como uma via”. O trabalho foi orientado pelo professor Maurício Eugênio Maliska.

Segundo Vieira, o hip hop é um movimento composto por diferentes manifestações artísticas que incluem desde expressões gráficas – o grafite, passando pela dança e pela música. Para ele, o rap – rhythm and poetry – é a parte musical do movimento, trazendo consigo a responsabilidade de traduzir em palavras as dores e as angústias de uma determinada população.

“No rap, a sublimação se apresenta como uma possível via de escoamento e deslocamento do desejo, uma alternativa ao sintoma”, explica Vieira. “A sublimação é caracterizada por alguma expressão do sujeito que se mostra dessexualizada aparentemente. Isso ocorre porque suas manifestações decorrem de produções cujo conteúdo cultural não apresenta finalidades ou traços sexualizados em suas características gerais. Por isso penso que essas atividades artísticas podem ser consideradas como um dos caminhos para a sublimação”, complementa.

Conforme argumenta o autor, conceituando a sublimação como este destino da pulsão que transforma a energia sexual em algo cultural e socialmente aceito, ela se mostra como uma via possível para o sujeito da periferia, em grande parte vítima da violência tanto do Estado como de boa parte da sociedade.

A pesquisa foi conduzida a partir da perspectiva psicanalítica, utilizando o método de análise psicanalítica do discurso e seguindo o caminho proposto por Freud quando diz que os poetas descobriram o inconsciente antes dele, dando clara demonstração que a produção literária foi uma fonte para a construção da psicanálise.

“Ao voltar o olhar para o álbum ‘Tungstênio’, encontrei traços discursivos que demonstram relações com as balizas do conceito de sublimação – tendo em vista a plasticidade do objeto, a aparente dessexualização da pulsão, a elevação do objeto à dignidade da coisa e a saída alternativa em relação ao sintoma”, conclui.

A dissertação foi aprovada por banca formada pelas professora Adriana de Oliveira Limas Cardoso (UNISUL), Nádia Régia Maffi Neckel (UNISUL). A banca contou com a suplência da professora Giovanna Gertrudes Benedetto Flores (UNISUL).

Agenda de defesas segue dia 27, às 14 horas, com a dissertação “O discurso capitalista proposto por Lacan como modo de funcionamento do telejornalismo político”, elaborado por Paulo Henrique Françosi Santhias.

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