Mesa discute Memória, Arquivo e Imagens Audiovisuais - Unisul

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Mesa discute Memória, Arquivo e Imagens Audiovisuais

Mesa-redonda envolvendo o professores Álvaro Larangeira (Rede JIM) e Theresa Medeiros (UFJF) dialogou com arquivos usados em produções audiovisuais e memórias que pensam o arquivo, o impresso e o cinema como trocas culturais, registros de lembranças e relatos de experiências. A atividade, realizada na noite desta quinta-feira (29), integrou o 2º Seminário Internacional Imaginário e Memória e foi mediada pelo professor Mario Abel Bressan Júnior (Unisul).

Memória, arquivo e o impresso como audiovisual

O professor Álvaro fez um resgate teórico e filosófico sobre o que considera “um revival, político biográfico, existencial”, apontando a possibilidade da memória, enquanto arquivo, potencializar a imagem do impresso ao ponto de ele poder ser considerado audiovisual. De acordo com o pesquisador, “a memória é a certificação da existência, a fonte da vida para que o ser humano não esqueça do vivido”, reforça.

Na reflexão proposta pelo professor Álvaro, ter a memória é escrever o discurso na alma. Já que a memória se apresenta com diversas faces: A memória como linguagem, anterior a escrita e a fala; A memória como constituição da identidade; A memória coletiva como poder; A memória como alimento da história (permitindo que a história

“O conhecimento do passado é algo em progresso, que incessantemente se transforma e se aperfeiçoa”, conclui o pesquisador.

Entre arquivos e histórias orais

A professora Theresa destacou a memória de si, apresentando, entre arquivos e histórias, o uso de imagens de arquivos pessoais em filmes sobre cinemas. Ela aponta que é comum que as pesquisas sobre o cinema de rua apresentem uma espécie de biografia do cinema. “Quando vamos ao encontro das pessoas fazer as entrevistas, há um desejo muito grande de que elas sejam vistas”, destaca.

Esse filme-documentário, misto de história oral com ficção, se aproxima do que a pesquisadora aponta como Cinema History, com foco na análise das audiências em suas vivências (coletivas e individuais), não pensando o cinema pela história do filme, mas sim no contexto em que foi produzido, o que possibilita trocas culturais. Para professora Theresa, “sempre havia esse momento de troca de imagens que eram geradas a partir de materiais que ajudavam as pessoas a relembrar”.

Em sua participação a pesquisadora apresentou fragmentos de documentários, provocando para “o uso de imagens pessoais como arquivos, para pensar essa forte presença de memórias de si, com o uso de imagens que mostram a intimidade da pessoa”. Segundo ela, esse movimento proporciona várias formas de aproximar a ficção dentro de documentários híbridos, que privilegia gestos de rememoração. “A imagem é antes de tudo mental, ela acontece elaborada na imaginação das pessoas”, conclui.

É a presença do cotidiano, do banal, dentro de arquivos de imagens. O medador da mesa-redonda, professor Mário Abel, destaca que “a história da memória e a história da história dialogam com a história das pessoas, da ida ao cinema, com a história do sabor, o cheiro do ambiente”, exclama. A noite termina com uma reflexão “A questão da imagem da memória é um transbordamento de sentidos”, conclui Mário.

Os Palestrantes

Theresa Medeiros é professora adjunta da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (FACOM/UFJF) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens (PPGACL/UFJF). Doutora em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, atualmente é vice-líder do grupo de pesquisa Comunicação, Cidade e Memória – UFJF/CNPq e membro do Grupo de Pesquisa em Conteúdos Transmídia, Convergência de Culturas e Telas – IAD/UFJF. Desenvolve pesquisas em cinema e audiovisual, especialmente em investigações sobre processos de criação das narrativas visuais e sonoras, memória e nostalgia.

Álvaro Laranjeira é integrante da Rede de Pesquisa Jornalismo, Imaginário e Memória – REDE JIM. Mestre e doutor em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e pós-doutor em Jornalismo pela Universidade de Coimbra. Álvaro é autor dos livros “A mídia e o regime militar” (2014), “Da virtude da fala ao silêncio da palavra: estratégias comunicacionais do PT no caso Mensalão” (2012) e “Comunicação Monoteísta” (2006); coorganizador das obras “1969 a 1970: Janelas do Tempo” (2020), “1968: de maio a dezembro: Jornalismo, Imaginário e Memória” (2018), “Circunavegação Comunicacional: uma viagem pelas Américas, África, Ásia e Oceania” (2012) e “A Serpente e o Dragão: dissertações acadêmicas de Getúlio Vargas” (2003); e coordenador editorial de “Comunicação e Política: EBC e o impeachment do governo Dilma” (2018).

O evento

O 2º Seminário Internacional Imaginário e Memória acontece de 27 a 30 de abril de 2021 de forma on-line e tem como público-alvo pesquisadores, docentes e alunos de graduação e de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado). Nesta edição, o Seminário tem como tema “Conexões e Presença”. O evento tem caráter científico interdisciplinar e visa à difusão de pesquisas e debates de temas ligados à linguagem, à cultura, ao imaginário, à memória e afins.
Mais informações nas redes sociais @imaginarioememoria

Release de Reginaldo Osnildo.

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