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Memorare publica dossiê sobre Imaginário e Memória

Segunda edição de Memorare publica o dossiê “Imaginário e Memória: Conexões e Presença”, organizado pela professora Heloisa Juncklaus Preis Moraes e pelo professor Mário Abel Bressan Júnior. Trata-se de um desdobramento do 2º Seminário Internacional Imaginário e Memória: Conexões e Presença, proposto pela linha de pesquisa Linguagem e Cultura do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Segundo e editorial da revista, o mundo pós-moderno, suas novas formas de conexão e de ser e estar presente, mobilizaram nossas reflexões especialmente a partir de questões ordinárias do cotidiano e dos nossos localismos e regionalismos. Tivemos um ambiente de discussão às sensibilidades coletivas forjadas em/por imagens e que perpassam o imaginário coletivo, a memória, a linguagem e a cultura. O evento que ocorreu no mês de abril contou com apresentações que enriqueceram o nosso debate e discussões.

Para os organizadores, a revista Memorare apresenta agora o dossiê alusivo ao evento, com artigos que propõem reflexões quer sobre o imaginário, memória ou a interface entre ambos e seus mais variados dispositivos de circulação.

Em relação ao cinema, o estudo do autor Roberto Abib aborda a autobiografia de David Cardoso, para entender os efeitos nostálgicos do cinema nacional. Faz um diálogo entre a história do cineasta e sua atuação como diretor e ator nos filmes de pornochanchada. A pesquisa “O cinema e a moral: nostalgias em dilema na autobiografia de Davi Cardoso” conclui que as memórias descritas em autobiografias atualizam a política do presente por meio dos sentimentos nostálgicos. Memória e ficção também estão constantemente contribuindo para reflexões necessárias acerca do consumo mnemônico.

O texto “Deus salve a rainha! O laço social televisivo e a memória coletiva na série The Crown”, dos autores Valdemir Soares dos Santos Neto e Mario Abel Bressan Júnior, expõe o papel da televisão em instrumentalizar o passado e acionar memórias dos telespectadores. O estudo mostra que ficções seriadas baseadas em fatos, alimentam e reatualizam memórias coletivas, como também propiciam o desencadeamento de uma memória colaborativa ao expor a história e trazer novamente laços sociais televisivos.

Ainda em se tratando de audiovisual, Emanuelle Querino Alves de Aviz apresenta o artigo “Morte vs. vida eterna: o esquecimento e a fama no imaginário pós-moderno, observando o filme ‘Viva! A vida é uma festa’”, discutindo sobre a formação de imagens simbólicas e como o uso das ferramentas digitais fomenta os processos de eternização e esquecimento na pós-modernidade.

Assim como o cinema e a televisão, a literatura também é um dispositivo importante de circulação de imagens que fomenta e ativa o imaginário e a memória. Luciano de Souza Santos e Geam Karlo-Gomes apresentam essa relação entre literatura e imaginário no artigo “Os regimes de imagem no conto The Black Cat, de Edgar Allan Poe” em uma análise, via a antropologia do imaginário de G. Durand, sobre o medo da morte, o mistério e o macabro apresentados na narrativa publicada em 1843.

“Cultura, turismo e imaginário: os símbolos da culinária talian como atrativo turístico” é a discussão apresentada por Kênia Zanella, mostrando o sentido conceitual de trajeto antropológico para os estudos do imaginário. Marcas de ancestralidade e vínculos de pertencimento estão em diálogo na formação de imagens, mas, também, para manutenção, proteção e disseminação das raízes culturais dos imigrantes italianos e seus descendentes, envolvendo seus mais diversos símbolos, como a ideia de sobrevivência, superação, prazer, intimidade, união e fé, relacionado ao mito da mesa farta. O artigo é um diálogo entre imaginário, cultura e turismo.

Para além de um conto de fadas, o filme El Laberinto del fauno é analisado, por Yls Rabelo Câmara, pelo seu Realismo Fantástico, as mitologias diversas, o Sagrado Feminino e os símbolos que envolvem a personagem principal em sua viagem iniciática rumo à Jornada da Heroína. O artigo “O sagrado feminino, a jornada da heroína e as diversas mitologias presentes na obra fílmica El laberinto del fauno” é um desses textos que se tornam referência no tema pela profundidade das reflexões exibidas. A viagem iniciática da personagem serve de mote para a análise do Sagrado Feminino e da Jornada da Heroína.

Ainda no contexto audiovisual, o dossiê apresenta textos que referenciam a memória e o seu lugar de construção e evocação. A pesquisa “O transbordamento dos arquivos de telejornalismo em meios digitais”, de José Jullian Gomes de Souza, configura uma proposta teórica-conceitual para a percepção e entendimento dos arquivos no telejornalismo e como esse fenômeno pode provocar mudanças significativas na sua produção e recepção.

Os arquivos sobre a ditadura militar se fazem presente no dossiê, com o artigo “Memória, arquivos e o impresso como audiovisual político-biográfico”, do autor Álvaro Nunes Larangeira. Nele, o pesquisador apresenta a ideia de que no texto impresso, há uma analogia inerente à formação audiovisual, por meio de seus efeitos de recepção política e biográfica.

Na perspectiva da interface imaginário, memória e cultura, Rafaela Bertuzzo e Juliana Tonin apresentam “A festa natalina e a sua relação com a dinamização dos ritos”, discorrendo sobre os procedimentos rituais presentes na celebração do Natal e refletindo sobre sua dinamização, entre imagens sagradas e profanas. Além disso, percebe-se, pela discussão das autoras, a importância da festividade não somente em termos rituais, mas também em processos culturais, econômicos, sociais e materiais.

O imaginário, como modulador das nossas representações, está presente nas instituições que regulam nossa vida social. A escola é um desses lugares que instiga imaginários e reafirma ou ressignifica imagens. Em “Representação e imaginário da escola na série ‘Anne com E’”, Cláudia Nandi Formentin traz uma aproximação nessa temática ao discutir esse imaginário escolar, especialmente no papel do professor transformador, a partir da série que ficou famosa ao debater a importância da imaginação como forma de construção de conhecimento e relações.

“A violência de gênero na perspectiva da metodologia do imaginário: análise experimental a partir de relatos de mulheres vítimas de violência”, de Sue Gotardo apresenta uma proposta metodológica de análise de imaginário, relacionando o tema da violência de gênero, a partir de relatos de mulheres vítimas de violência dispostos no site da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul. Além das questões metodológicas defendidas, a autora discute os universos imaginais e a violência de gênero.

A memória como sustentação das vivências sociais e culturais é o foco do artigo “A memória como coisa ou suporte de experiências quotidianas sobre memória”, da autora Tayara Barreto de Souza Celestino. Nele, a pesquisadora traz abordagens heideggeriano para compor uma resposta sobre as experiências do dia a dia e como essas traduções se formam a partir de memórias. Nos estudos sobre memória, as pesquisas perpassam por questões sociais e midiáticas. A mídia de massa pode arquivar imagens e “quotidianos” em registros impressos. É por esse caminho que visualizamos os desencadeamentos individuais e coletivos das reminiscências.

O artigo “As fotografias da moda praia na revista ilustrada O Cruzeiro entre 1928 e 1943”, das autoras Ana Paula Dessupoio Chaves e Theresa Christina Barbosa de Medeiros, por exemplo, contextualiza a moda/praia na revista O Cruzeiro, de veiculação nacional, entre os anos de 1928 a 1985. Nesse sentido, a análise demonstra a importância da revista para propagação da memória, por meio das imagens retratadas no Rio de Janeiro.

Finalizando as discussões do nosso dossiê, Maria Auxiliadora Fontana Baseio e Maria Zilda da Cunha trazem o texto “Reflexões sobre o imaginário na arte literária de José Saramago: uma leitura interdisciplinar de A Jangada de pedra”, partindo do pressuposto de que o imaginário é uma complexa rede semântica que permite capturar o que se delineia nos pensamentos e sentimentos humanos em qualquer tempo e lugar. Assim, operam na análise da constelação de imagens que se manifesta na arte literária de José Saramago. Entendemos a intrínseca relação entre imaginário e memória. Esta como um dispositivo daquele.

Segundo os organizadores, as reflexões marcam esse diálogo e assumem a abrangência interdisciplinar, possibilitando analisar fenômenos culturais, artísticos, midiáticos e cotidianos de maneira transversal.

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