V SEDISC: mesa-redonda Discurso, Mídia, Memória abre o eixo temático - Unisul

Notícias do Programa

Saiba tudo o que acontece no PPGCL

V SEDISC: mesa-redonda Discurso, Mídia, Memória abre o eixo temático

Mediada pela Profa. Dra. Giovanna Flores, a mesa-redonda do Eixo Temático VI abordou a mídia e suas produções de sentido na leitura do Brasil

Na tarde de terça-feira (17), o eixo Discurso, Mídia, Memória teve início com uma mesa-redonda coordenada pela Profa. Dra. Giovanna Flores (PPGCL – Unisul). O debate contou com a participação da professora Silvia Ramirez Gelbes, da Universidade de Buenos Aires, de Rene Silva, criador do Jornal Voz das Comunidades e da profa. Bethania Mariani, professora da UFF-Universidade Federal Fluminense A coordenadora abriu a discussão com o questionamento: “como ler o Brasil hoje pela mídia, e por qual memória?”, sugerindo o gesto de leitura como uma ressignificação de memórias.

A primeira comunicação apresentada foi a de Silvia Ramirez, intitulada El Brasil de los excessos: como lee la prensa argentina al ‘gigante de Latinoamérica’. A pesquisadora iniciou sua fala problematizando como o discurso jornalístico produz sentido de objetividade, ainda que sofra interferência subjetiva. Silvia também abordou o problema do estereótipo, como sendo imagens em que o sujeito julga a partir de uma forma previamente definida pela cultura. O tema central de sua investigação foi perceber como o Brasil é representado pela imprensa argentina.

Com uma metodologia qualitativa, ela buscou analisar os  termos mais recorrentes utilizados pela imprensa argentina por meio de expressões de grandiosidade, como: o maior, os maiores, grandioso, imponente. A autora afirmou que há muitas razões para a Argentina ver o Brasil como maior, por exemplo, pelas questões geográficas, demográficas e de diversidade. Sendo assim, a presença de um estereótipo reproduzido pela imprensa e recuperado pela sociedade “explicam um imaginário do argentino de que o Brasil é sempre excessivo e que nunca está formado por seres humanos comuns iguais a nós”, pontuou Silvia.

A segunda apresentação foi a do comunicador Rene Silva, que trouxe para a discussão um estudo de caso sobre a criação de veículos de comunicação impressos em comunidades vulneráveis. O comunicador contou um pouco sobre a história do jornal Voz das Comunidades, que circula no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro – RJ.

Conforme Rene, o grande desafio do jornal é trazer para os moradores pautas locais, como: falta de luz, água e saneamento básico e diversos outros problemas sociais, em contraponto às pautas exploradas pela grande mídia, que em sua maioria englobam violência e tráfico.

O Voz das Comunidades começou como um projeto escolar durante a cobertura da ocupação em 2009, no Morro do Alemão, em que a comunidade buscava o veículo de comunicação local para conseguir informações mais precisas, tendo em vista que a cobertura da grande mídia para esses territórios é muito diferente. Para Rene, o veículo impresso comunitário é um espaço de acolhimento e ação política quando o Estado não se faz presente.

Segundo o comunicador, “a favela é sempre ouvida a partir da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança, nunca pela voz da comunidade […]. Então, existe uma realidade nas favelas antes e depois da comunicação comunitária, ela tem uma importância muito grande para contribuição na diminuição da desigualdade social, na melhoria dentro das favelas”.

Por fim, a pesquisadora Bethania Mariani apresentou sua comunicação intitulada Brados e gestos de revolta (em um ínfimo lapso de tempo) testemunhos de resistência: uma proposta discursiva de escuta. Nela, a pesquisadora realizou uma leitura do Brasil de hoje a partir do mal-estar cotidiano, que estaria sendo produzido na mistura entre o totalitarismo político e a pandemia. Para a autora, pensar o mal-estar no cotidiano é compreender a significação do sujeito diante da atual situação política e  econômica. Segundo Mariani  “o sujeito busca, de algum modo, se significar e significar o mal-estar com esses brados de revolta. Entendo que dessa posição, o sujeito faz política com esses brados e gestos de revolta. Ele faz política com seus grãos de enunciação, uma política toda sua em um dado momento específico”.

Texto: Adriana Stela Bassini Edral (PPGCL-UNISUL)
Revisão: Bianca Queda (PPGCL-UNISUL)

Loading...